17/05/2017

Ahnenerbe: O instituto Nazista de estudo do Ocultismo


Os nazistas sempre se prestaram ao papel de ótimos vilões por bons motivos. Suas filosofias pervertidas, suas crenças tortas, a maneira implacável como eles perseguiam seus objetivos malignos e seus muitos projetos secretos, criaram toda uma aura de misticismo inescrutável ao redor deles. Acrescente a isso histórias bizarras a respeito de super armas, poderes ocultos, complexos secretos subterrâneos, buscas ao redor do globo por poderosos artefatos e você tem a receita perfeita para uma organização vilanesca da pior espécie.

Ainda assim, o que muitos desconhecem é que a maneira que os nazistas são retratados nos filmes e na ficção não estão completamente absurdos fora da realidade. De fato, os nazistas estavam profundamente envolvidos em pesquisas, explorações e experimentos que eram tão estranhos e fantásticos que beiravam o delirante. Eles também estavam enredados em um mundo oculto e bizarro que escolheram acreditar, ser real. A verdade, de fato, pode, e frequentemente é, mais estranha do que podemos imaginar. Trata-se de uma combinação poderosa que torna os nazistas algo muito mais peculiar e ainda mais terrível do que qualquer ficção.

Adolf Hitler e muitos membros do Partido Nazista tinham interesse no mundo oculto, algo que é bem conhecido e documentado. O próprio partido surgiu com base em fraternidades ocultistas e sociedades secretas, aumentando sua influência de maneira meteórica até se converter em uma força política devastadora. Esse intenso interesse no ocultismo e no misticismo levaram a uma significante expansão de um cabal secreto conhecido como Ahnenerbe.

Convido os amigos e amigas a conferir mais uma matéria a respeito do ocultismo nazista. Ao longo dessa matéria eu linkei algumas outras matérias aqui do blog Noite Sinistra relacionadas com esse assunto, para o caso de vocês se interessarem em conhecer mais a respeito das atrocidades nazistas.

O instituto de estudo de ocultismo


A Ahnenerbe foi fundada em primeiro de julho de 1935, por ninguém menos do que Heinrich Himmler, que se tornaria dentro de poucos anos um dos expoentes na estrutura de poder nazista e o notório líder da SS. O nome da Organização significa literalmente "herança de nossos antepassados", e teve seu início como um instituto dedicado a pesquisa arqueológica, antropológica e cultural a respeito da História dos Povos Germânicos. Himmler acabou se tornando muito conhecido como "o arquiteto do holocausto", por ter sido o pai da ideia dos massacres contra os judeus (clique AQUI e conheça melhor essa história). Na prática, um dos propósitos principais da Ahnenerbe era comprovar as teorias de superioridade racial do Povo Ariano, do qual os alemães acreditavam descender diretamente. Nesse sentido, eles eram agentes de propaganda em busca de evidências pseudo-científicas que pudessem comprovar suas ideologias pervertidas. Com esse objetivo, essa organização sombria patrocinou dezenas de expedições e escavações arqueológicas ao redor do mundo em lugares tão diferentes quanto Alemanha, Grécia, Polônia, Islândia, Romênia, Croácia, Africa do Norte, Oriente Médio, Rússia e Tibet.

Leia mais: Expedição Nazista em 1938 encontra artefato inestimável no Tibete


O propósito dessas expedições eram localizar e recuperar artefatos e relíquias capazes de corroborar suas teorias de que eles descendiam de uma Raça Superior (The Master Race). Os membros da Ahnenerbe tentavam desesperadamente provar esse ponto, que nas suas mentes deturpadas, serviria como comprovação de que eles teriam direito a Conquistar o Mundo. Alguns membros chegavam ao ponto de acreditar candidamente que a civilização ariana ainda habitava cidades ocultas no interior do planeta ou outros lugares escondidos do planeta, e que seria questão de tempo até estabelecer com eles contato.

Nazistas no Egito em uma Escavação
Não se sabe exatamente em que momento a Ahnenerbe abandonou qualquer contexto científico, ingressando em um caminho que privilegiava o ocultismo. Conhecendo o pedigree de alguns dos seus líderes não é de se surpreender que eles tenham seguido nessa direção. Herman Wirth, um dos fundadores do Instituto era um historiador holandês obcecado por encontrar a localização de Atlântida, lugar onde ele acreditava existir magia e tecnologia avançada. Himmler tinha um intenso fascínio por tudo que era ligado ao sobrenatural, uma devoção que beirava a loucura. Muitos acreditam que Himmler tinha sérios problemas mentais, sendo que um dos seus desejos íntimos era substituir a Religião Cristã por uma que ele próprio escreveria baseando-se em princípios pagãos. Os dois eram figuras centrais no funcionamento da Ahnenerbe e é claro, foram instrumentais no aumento do interesse do Instituto no Oculto. A medida que a organização crescia e expandia sua influência, ela empreendia em escala global as mais fantásticas buscas que pareciam retiradas de roteiros de filmes. Elas rondaram em áreas remotas procurando por terras estranhas, artefatos desconhecidos, textos em idiomas misteriosos, curiosidades bizarras, locais com carga paranormal e relíquias de toda natureza mística. Estudavam seriamente as faculdades mentais, privilegiando a telecinesia, a telepatia, capacidade de controlar e ler mentes e outras habilidades que se perderam com a mistura racial.

Com o apoio oficial dos nazistas o instituto continuou a crescer, chegando a contar com 50 sedes espalhadas por toda Alemanha. Em suas bases de operação, eles lidavam com temas diversos, desde previsão meteorológica, até atividade psíquica, espiritualismo e condução de expedições aos rincões mais distantes do planeta. Eles procuravam o lendário Santo Graal (o Cálice Sagrado de Cristo, usado na Última Ceia), a localização de Atlântida, da Lança do Destino (que o Legionário romano Longinus teria usado para perfurar Cristo na crucificação) e muitos outros objetos carregados de significado místico. O grupo também procurava portais e passagens para outros reinos, bem como civilizações perdidas que influenciavam as crenças de outras organizações como a infame Sociedade secreta de Thule (clique AQUI para saber mais a respeito).

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Sinistro realmente, mas esse foi apenas o começo.

Oficiais da SS em ruínas na Grécia
O desejo de dominar novas fontes de poder, levou a Ahnenerbe a criar uma divisão pseudo-científica, que ativamente perseguia a existência de armamento ancestral. Acreditavam que antigos artefatos religiosos, mencionados em escrituras sagradas, poderiam ser usados como armas definitivas. O grupo estava fortemente envolvido com áreas bizarras de ciência delirante, incluindo contatar inteligência alienígena fora da Terra e em outras dimensões. Estava de acordo ainda com a controversa Teoria do Mundo de Gelo, que creditava a criação da Terra a partir de um imenso bloco de gelo que se chocou com o sol e disseminou luas invisíveis que descreviam órbitas a redor do planeta.

A Ahnenerbe também tinha interesse no poder oculto, mágico, ritualístico e psíquico. Tudo isso poderia se converter em armas para serem empregadas contra os inimigos. Para tanto, eles criaram programas para treinar assassinos psíquicos, feiticeiros que acreditavam poder amaldiçoar à distância, bruxos que usavam sangue e cabelo em rituais, místicos que traçavam mapas astrais para planejar ofensivas e dezenas de outros projetos. A Organização também dedicava importância ao poder das Runas, o estilo de magia germânico por excelência.

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Dentre as facções internas da Ahnenerbe uma de grande importância era conhecida como Karotechia. Essa divisão era voltada de maneira solene ao estudo de forças sobrenaturais e seu uso militar pelo Terceiro Reich.

As raízes da Karotechia são profundas e variadas. Quando a unidade foi oficialmente criada em 1939, muitos de seus membros foram alistados de dentro da própria Ahnenerbe e do Thule-Gesellschaft, sobretudo entre os que demonstravam maior interesse e conhecimento nas tradições ocultistas. Seu âmbito visava substituir o Abteilung Überprüfung der Sogenannten Geheimwissenschaften (literalmente, Departamento de Análise das Assim Chamadas Ciências Secretas) que vinha analisando assuntos ligados ao ocultismo desde 1933, auxiliando outra divisão importante, o Departamento de Pré-História e História Antiga Germânica.


Mais do que qualquer outro grupo de pesquisa do paranormal durante a Segunda Guerra Mundial, o Karotechia procurou explorar o oculto em sua plenitude. Com o apoio integral da SS e do Departamento de Estado, eles invadiram as bibliotecas e museus de Europa nos países ocupados em uma busca insaciável de conhecimento místico. Em cada nação, agentes ligados a Karotechia realizavam pilhagem de livros, documentos e material a respeito das ciências ocultas.

Mas a função do Karotechia envolvia muito mais do que obter material de referência e pesquisa. Eles buscavam estudar e compreender o ocultismo sob uma ótica quase científica. Nenhuma via de estudo deveria ficar inexplorada, não importando o quão peculiar pudesse parecer aos acadêmicos mais tradicionais da Ahnenerbe. Os membros do Karotechia estavam protegidos diretamente por Himmler e deviam explicações somente ao Chefe da SS, o que lhes permitia estudar até mesmo a Kabbalah judaica e o Talmud. Eles eram conhecidos por suas iniciais em documentos, e por nomes em código rúnicos de correspondência interna. Cada divisão à serviço da Karotechia tinha sua própria runa, usada orgulhosamente na lapela dos uniformes negros de seus membros, assim como os membros da SS utilizavam o duplo Sig - a runa da vitória.

Um emblema rúnico típico da Karotechia
O Karotechia nunca teve uma sede central, já que cada projeto manteve a sua própria base de operações, reportando-se diretamente a Himmler por correspondência oficial. Quando o Karotechia precisava reportar a Himmler, por vezes eram chamados para o Castelo da Ordem SS em Wewelsburg. É provável que o vasto acervo que compunha a coleção particular de tomos versando sobre o Oculto, em poder de Himmler, tenha sido coletada pelos agentes que faziam o trabalho de obter os volumes raros com o zelo de bibliotecários. Em sua fome de material, nenhuma coleção privada ou pública ficou intocada.

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Outra sociedade estranha submissa a Ahnenerbe foi o Departamento de Arquivo VII, conhecido por Sonderkommando H ("H" se referindo a palavra hexen - bruxaria em alemão). A existência desse comando militar, no entanto, jamais foi comprovada.

Supostamente criado em 1935 sob as ordens diretas de Heinrich Himmler, o Sonderkommando H, era um gabinete interno da Ahnenerbe, coligado a SS. Sua função teria sido coletar registros e documentos pertencentes à Igreja Católica. Sua busca principal era por processos da Inquisição Católica, instaurados contra alegados magos, bruxos e praticantes de feitiçaria. Esses registros teriam sido compilados no Hexenkartothek, um catálogo com mais de 33 mil fichas, com detalhes de processos inquisitoriais. Enquanto a maioria dos Hexenkartothek concentravam-se em julgamentos de bruxas ocorridos na Europa, unidades especiais do Sonderkommando H pesquisaram ocorrências em lugares distantes como Índia e México. O objetivo era fazer um levantamento completo de atividade envolvendo feitiçaria mundo afora.


A pesquisa do gabinete teria sido concebida como uma maneira de reunir elementos que justificassem uma medida enérgica da SS sobre a Igreja Católica. Uma acusação de perseguição empreendida pela Igreja, contra outras religiões, em especial tradições pagãs germânicas, no entender de Himmler poderia justificar medidas contra ela. Himmler não escondia seu entender de que a Cristandade deveria ser erradicada na Alemanha após a vitória dos nazistas e substituída por outra crença idealizada por ele mesmo.

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Todas essas informações podem parecer absurdas, mas nada disso era piada para os nazistas que perseguiam esses ideais com uma seriedade desconcertante. Para muitos deles, a descoberta desses segredos e a perseguição de tais objetivos era essencial para a construção do Reich que duraria mil anos. A prova disso é a quantidade de recursos empregados nessas expedições, apoios e projetos: Milhões de dólares, força de trabalho e recursos utilizados nas mais estranhas empreitadas.


Fontes: Mundo Tentacular e Wikipédia

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