26/07/2015

O misterioso caso Taman Shud


Hoje voltamos a contar com uma dica no nosso amigo Elson Antonio Gomes na elaboração da postagem que os amigos e amigas poderão conferir mais abaixo: o caso Taman Shud. O caso Taman Shud, também conhecido como "Mistério do Homem de Somerton", é sem dúvida um dos mistérios mais famosos do mundo, e um dos mais intrigantes também.

No dia 1º de dezembro de 1948, as seis horas da manhã, o corpo de um homem é encontrado na praia de Somerton, na Austrália. Até hoje ninguém conseguiu descobrir quem de fato era tal homem. Até aí nada de misterioso - afinal de contas quantas pessoas acabam sendo enterradas como indigentes todos os anos certo? - porém alguns elementos, como um estranho bilhete encontrado no bolso do cadáver, acabaram fazendo da morte desse homem um dos casos mais estranhos e controversos da história contemporânea das investigações criminais.

O início das investigações

Um patologista da época classificou o homem como britânico e deu a ele de 40 a 45 anos de idade, identificou também todas as outras características físicas, mas algo intrigou a todos: por que alguém iria à praia de roupa social (camisa, gravata, calça sapatos…)? Isso levantou a hipótese de suicídio, mas logo em seguida essa hipótese teria sido abandonada.


O "X" marca o local onde o corpo foi encontrado
Quando foi encontrado, o corpo estava com o braço direito dobrado e o outro esticado, além disso, foi encontrado um cigarro atrás da orelha, outro usado perto de seu rosto.

Segundo testemunhas, o homem estava rondando a praia desde as oito horas da noite anterior, e, por não se incomodar com nada que estava ocorrendo ao seu redor, as testemunhas pensaram que ele estivesse bêbado. Mas no dia seguinte a polícia encontrou o corpo do homem com a mesma descrição, mas sem saber se era o mesmo. A autópsia revelou que a morte ocorreu por volta das duas da manhã.


Seus órgãos estavam alterados, o baço estava três vezes maior e rins e estômago estavam congestionados, além de outras coisas, o que levou à conclusão de que o misterioso homem não havia sido vítima de uma morte natural. Nesse momento a polícia começou a cogitar a hipótese de envenenamento. Embora os investigadores acreditassem que o homem teria sido envenenado, nenhum vestígio de qualquer agente estranho foi descoberto durante a autópsia.

Abaixo podemos conferir uma breve transcrição do laudo:

"O coração estava em seu tamanho normal, e normal em todos os demais aspectos (...) pequenos vasos incomuns de serem encontrados no cérebro eram facilmente discerníveis com congestão. A faringe estava congestionada, e o esôfago coberto por branqueamento das camadas superficiais da mucosa, com uma trilha medial de ulceração. O estômago estava profundamente congestionado (...) havia congestão também na 2ª metade do duodeno. Havia sangue misturado ao alimento no estômago. Ambos os rins estavam congestionados, e o fígado continha grande excesso de sangue em seus vasos (...) o baço apresentava inchaço expressivo (...) de aproximadamente 3 vezes seu tamanho normal (...) exame microscópico revelou a destruição de lóbulos do fígado (...) hemorragia gástrica aguda, congestão extensiva do fígado e baço, e congestão do cérebro."

O homem estava em boa condição física e muito bem vestido, ele usava uma camisa branca, gravata vermelha e azul, calça marrom, meias e sapatos, mas estranhamente todas as etiquetas em suas roupas tinham sido removidas (algo nem tão estranho, afinal eu conheço pessoas bem próximas de mim que removem as etiquetas de suas roupas logo que as compram). Uma busca em seus bolsos revelou um bilhete de ônibus de Adelaide para St. Leonards em Glenelg, um subúrbio da cidade, e um bilhete de segunda classe não utilizado do trem de Adelaide para o subúrbio de Henley Beach, um pente americano de alumínio, um pacote pela metade de chicletes Juicy Fruit, um pacote de cigarros Army Club contendo cigarros Kensitas (uma marca diferente) e uma caixa de fósforos Bryant & May.

A Scotland Yard foi chamada, e apesar da fotografia do homem e a sua impressão digital circularem ao redor do mundo, ninguém soube identificar o estranho homem.

A estranha mala na Ferrovia

O caso sofreu uma reviravolta quando, em 14 de janeiro de 1949, funcionários da Estação Ferroviária de Adelaide descobriram uma mala marrom com a etiqueta removida, que havia sido colocada no guarda-volumes da estação por volta das 11:00 da manhã de 30 de novembro de 1948.

Caso Taman Shud
Os detetives Dave Bartlett, Lionel Leane e Len Brown (da esquerda para a direita) apresentam a mala e seu conteúdo, janeiro de 1949.
Em seu interior estavam um roupão vermelho listrado, um par de chinelos de feltro vermelho tamanho sete, quatro pares de cuecas, pijamas, utensílios de barbear, um par de calças marrom claro com areia nas barras, uma chave de fenda de eletricista, um pincel de estêncil, uma faca de mesa que fora reduzida a um instrumento de corte curto e afiado, e um par de tesouras como as usadas em navios mercantes para demarcar as mercadorias embarcadas.


Todas as marcas de identificação nas peças de roupa haviam sido removidas, mas a polícia encontrou o nome "T. Keane" em uma gravata, "Keane" em um saco de lavanderia e "Kean" (sem o último "e") em uma camiseta. Os investigadores chegaram à conclusão de que a pessoa que removeu as etiquetas deixara propositalmente o nome Keane nas roupas, como se quisesse mandar alguma mensagem que foi praticamente impossível decifrar.

Gravata encontrada na mala
O único item da mala que pôde ser aproveitado foi um casaco que apresentava uma nesga frontal e um desenho bordado. Determinou-se que ambos poderiam ter sido feitos apenas nos Estados Unidos, que era o único país com o maquinário moderno necessário para tais tipos de costura na época, porém a empresa americana que fazia aquele tipo de trabalho na época disse que o bordado só era feito com a presença do cliente e eles não tinham cadastro de nenhum cliente de outro país. Infelizmente, a mala provou ser um beco sem saída.

O fracasso em desvendar a identidade e o que levou à morte do homem levou as autoridades a definirem aquele como um "mistério sem paralelos" e acreditarem que a causa da morte jamais seja determinada.

Um editorial de época chamou o caso de "um dos mistérios mais profundos da Austrália", observando que, se o homem morreu por consequência de envenenamento, o agente usado para causar a sua morte era algo raro e obscuro, tanto que não pôde ser identificado por especialistas em toxicologia, então o conhecimento avançado em substâncias tóxicas do autor do crime apontava certamente para algo muito mais sério do que um mero envenenamento doméstico.

Descoberta do estranho bilhete "Taman shud"

Os meses se passaram até junho de 1949, quando os investigadores fizeram uma nova investigação no corpo e em pertences do misterioso homem. Durante o curso dessas novas investigações foi descoberto um bolso secreto na roupa do homem. Nesse bolso foi encontrado um pedaço de papel com as palavras "Taman shud" impressa sobre ele. Oficiais da biblioteca pública foram convocados para traduzir a nota, identificando-a como uma frase, que significava "fim" ou "terminado'. Após uma inspeção mais próxima do papel, foi descoberto que era a página de uma coleção de poemas intitulado "O Rubaiyat" de Omar Khayyam.



Essa descoberta levou a uma busca envolvendo toda a mídia em uma tentativa de encontrar o livro ao qual aquela página foi arrancada. Enviaram copias do pedaço de papel ao mundo todo e não foi avisado do que se tratava. A campanha foi bem sucedida e um homem apareceu com uma cópia de uma edição rara de Edward Fitzgerald que era uma tradução de "O Rubaiyat". Segundo esse homem o livro apareceu no bando de trás do seu carro em uma vez que ele havia deixado o veículo destrancado. Tal incidente aconteceu na noite anterior a morte do misterioso homem encontrado na praia australiana.
Após exames de microscopia, foi confirmado que era o mesmo livro de onde a pagina havia sido arrancada. Na parte de trás do livro havia rabiscos a lápis, um tipo de código estranho. Também estava escrito no livro o número de telefone de uma ex-enfermeira que, ao servir na II Guerra Mundial, deu uma cópia de O Rubaiyat a um oficial do exército chamado Alfred Boxall. A polícia acreditou que o morto fosse Boxall, até encontrá-lo vivo e com sua cópia do Rubaiyat completamente intacta.

O misterioso cadáver é enterrado

Após o inquérito, foi feito um molde em gesso da cabeça e ombros do homem para possíveis identificações posteriores, e ele foi então sepultado pelo Exército de Salvação, para não ser enterrado como indigente.



Anos depois do enterro, algo muito estranho foi notado, flores começaram a ser depositadas sobre o túmulo. A polícia investigou, porém não descobriu quem estava depositando as flores. Até hoje o mistério do homem de Somerton permanece sem solução. Ninguém sabe quem ele era, e o que a frase "Taman shud" significava, e o código misterioso jamais foi decifrado.



Para muitas pessoas esse estranho homem era um viajante do tempo, e por isso suas impressões digitais não foram identificadas, assim como o tal veneno que teria o matado, pois tal substância não seria conhecida na época.

Agradecimentos ao amigo Elson Antonio Gomes pela dica.


Quando amanhecer, você já será um de nós...


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3 Comentários
Comentários
3 comentários:
  1. Post muito fod@!! Não conhecia este caso, muito intrigante.

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    1. Esse é um dos casos não solucionados mais legais que eu conheço...legal a dica do amigo Elson...

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  2. Ele poderia ter sido um espião, e poderia ter se suicidado com veneno.

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