22/08/2013

A pedra da CEE, intriga arqueólogos gaúchos


Muitos textos publicados aqui no Noite Sinistra são introduções para um texto futuro, ou mesmo acabam sendo relacionados a um texto mais adiante, seguindo um assunto ou linha de raciocínio. Como já deixei muitas vezes claro, uma das minhas grandes paixões são os assuntos históricos e mistérios arqueológicos, e seguindo essa minha paixão eu publico esporadicamente algum texto abordando o tema. O texto que poderemos acompanhar abaixo é um material desse tipo. A postagem de hoje, juntamente com algumas outras que serão publicadas dentro de algumas semanas, faz parte de uma ideia maior, portanto ela serve de fundamentação para um assunto que pretendo abordar até o final desse ano.

A Pedra da CEE

Há mais de 40 anos, uma pedra com aproximadamente 30 quilos e 35 centímetros de largura está exposta no segundo andar da casa de máquinas da Usina Hidrelétrica de Itaúba, localizada entre os municípios de Pinhal Grande e Estrela Velha, a cerca de 320 km de Porto Alegre. Até então, ela pouco chamou atenção dos visitantes, mais interessados em conhecerem a estrutura construída para a geração de energia. Aos olhos de leigos, as inscrições constantes no bloco arenítico são, no máximo, curiosas. Para pesquisadores da área, no entanto, pode se tratar de um achado arqueológico muito importante.


As inscrições existentes na chamada Pedra da CEEE, em uma análise inicial, podem ter mais de 5 mil anos. Possivelmente se trata de um exemplo de arte rupestre que difere, contudo, dos demais encontrados no Rio Grande do Sul, por ser em alto-relevo e apresentar uma simetria que chama a atenção.

De acordo com o assistente da Divisão do Sistema Jacuí, Ademar Santos da Rosa, que também foi morador das proximidades do lugar onde a pedra foi encontrada por operários, esse material foi colocado em exposição unicamente por fazer parte da história da construção da barragem. “Sempre achamos esse bloco curioso, mas não havíamos nos dado conta do legado histórico deixado por ele”, afirma. Intrigado, Ademar garante que solicitará cuidados redobrados no manuseio da pedra. “Devemos levar em consideração que ela pode ser uma chave para nosso passado. Como filho da terra, isso muito me orgulha”, justifica.

Ademar Santos da Rosa

Dúvidas sobre o achado

Para a professora da Universidade da Região da Campanha (Urcamp – campus Alegrete), Taís Vargas Lima, doutora em Arte Rupestre, uma série de dúvidas recai sobre essa pedra. “Assim que recebi a fotografia desse bloco, entrei em contato com vários especialistas. É unânime, pelo menos por enquanto, que temos em mãos um dado importante sobre o passado. Porém, não conseguimos definir sua procedência. Precisamos realizar análises e, sobretudo, aplicar a técnica científica para chegarmos às respostas que buscamos”, frisa.

Conforme Taís, a maioria das inscrições rupestres são em baixo-relevo e não em alto, como se pode observar na pedra. “Ela tem formas que instigam pela simetria”, reforça. São conjuntos duplos em relevo uniforme em pedra arenítica que poderiam, talvez, representar uma contagem de tempo rudimentar. Também poderiam ser um emblema religioso itinerante entre as sociedades, entre várias outras formas de interpretação. “O fato é que as pessoas que fizeram não deixaram informações a respeito em nosso tempo. Por isso, há que se ter muito cuidado com qualquer conclusão precipitada. Mas fica o registro do fato nobre desse achado”, explica. A pesquisa se encontra, apenas, na fase inicial. No entanto, é possível afirmar que é muito pouco provável se tratar de algo natural.


Conformo pudemos ler mais acima um dos responsáveis pela área da hidrelétrica confirma que nada sabiam sobre a pedra, e a colocaram em exibição mais por uma casualidade. De acordo com esses dados fica a pergunta: Quantos artefatos podem ter sidos descobertos durante as obras da usina hidrelétrica, sem que as mesmas tivessem recebido o devido cuidado, afim de estudos posteriores?

Minha cabeça ferve em imaginar que talvez essa estranha peça fosse parte de um quebra cabeça maior que pode estar "enterrado" ainda, ou mesmo que possa ter sido perdido para sempre.

Abaixo podemos conferir algumas imagens do lago da usina de Itaúba.







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11 Comentários
Comentários
11 comentários:
  1. Cara, que interessante. Não cuuuurto esses mistérios assim, mas o post foi de qualidade. ótimo conteúdo, como sempre

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    1. Eu sou aficionado por mistérios do passado e arqueologia...sem contar teorias da conspiração...acho que tenho um pé no outro lado da realidade...rsrsrsr

      Abraço manolo!!!!

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  2. Nossa muito interessante e vendo as imagens do local,cheguei a conclusão de que deveriam explorar ainda mais, pois achariam artefatos ainda mais interessantes,e isso é bom não apenas pela parte interessante,mas também a nível cultural,antropológico e sociológico,afinal estariam descobrindo um pouco mais da história e costumes de seres passados.
    Acho muito legal saber como era o comportamento de civilizações passadas e principalmente saber o que levou a civilização a se desenvolver em determinada refião e o que a levou a migrar para outro local ou ir definhando aos poucos até seu completo desaparecimento.
    Arqueologia é fascinante!!

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    1. Concordo plenamente com você Marciela...eu fico "doido" imaginando o tipo de coisas e artefatos que foram perdidos ou esquecidos porque as pessoas estavam preocupadas demais com o progresso.

      Isso não significa que sou contra o progresso, mas vamos entrar em acordo galera, que muitas coisas do passado foram perdidas porque não havia tempo para estudar elas melhor, ou para procurar outros artefatos em locais que se realizavam certas obras...Aqui na minha cidade por exemplo, durante a construção do estádio de futebol do esporte clube lajeadense, foram encontrados objetos de cerâmica indígena...mas o assunto logo foi abafado para não atrapalhar a obra do estádio...

      Abraços...

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  3. Bah moro bm perto passo por la seguido e nao sabia desta pedra. Muito bom post

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    1. Pois é...como o própria funcionário da CEE falou eles só guardaram a pedra por acharem ela curiosa...ou seja apenas agora essa pedra ta começando a ser estudada...vai levar um tempo até essa história se espalhar...rsrsrs

      Abraço manolo...

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  4. Muito interessante, já vi essa pedra quando fui visitar a Usina, é muito interessante mesmo... Moro em Salto do Jacuí, cidade vizinha à cidade onde está localizada a Usina de Itaúba.

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    1. Que legal manolo...eu bem que gostaria de ir aí conhecer essa pedra, e o lago da barragem também, afinal o lugar parece muito belo...

      Abração Cristiano!!!

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  5. Muito triste isso , eu fico imaginando que não só nessa hidroelétrica mas em todo o país quanto de história do nosso passado foi destruída por simples ignorância e também muita estupidez desse povo ...

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    1. Sem contar que muitas vezes falta bom senso e atitude ligada a preservação...talvez por o Brasil ser uma país jovem e que conhece pouco as suas raízes é que não tenhamos o costume de preservar a história. Mas não é apenas no Brasil. Tempos atrás eu li um texto que falava que em épocas remotas pirâmides menores no Egito também foram depredadas pela população local, que removia pedras menores, para os mais diversos fins.

      Grato pela participação...

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  6. Há uma pedra com uma inscrição também enigmática, porém de um passado mais recente. Encontra-se no Museu do Açude Castanhão, no Ceará. Essa inscrição está gravada na pedra, de uma maneira que só é possível visualizar de uma determinada posíção frente a pedra.
    “Reino do Salvador. Caverna do Mistério. Obra do fim dos tempos” ...é o que diz a inscrição. Link para a postagem: https://www.flickr.com/photos/egbertoaraujo/4555420216

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