02/04/2013

O gatilho mental e o livro O apanhador no campo de centeio


J.D.Salinger foi um desses eremitas excêntricos que existe na literatura mundial. Teve uma vida reclusa que se intesificou nos ultimos anos. Faleceu em 27 de janeiro de 2010 de causas naturais.

O Apanhador no Campo de Centeio, romance mais famoso de Salinger, retrata as dúvidas e fantasias de um adolescente dos anos 1950. Embora escrito num tom lacrimoso de auto-ajuda (ou, talvez, exatamente por isso), o livro virou cult no mundo inteiro. O curioso é que a obra de Salinger foi achada na casa de três notórios malucos:


Mark Chapman, o assassino de John Lennon, foi encontrado pela polícia quando lia tranquilamente O Apanhador no Campo de Centeio.


John Hinckley Jr., o homem que atirou no presidente americano Ronald Reagan para supostamente chamar a atenção da atriz Judie Foster, também tinha um exemplar do livro de Salinger em casa.


Existem aqueles que mencionam nessa lista o Lee Harvey Oswald, o suposto assassino do presidente John F. Kennedy, também teria decidido agir depois de ler o romance de Salinger.

Teóricos da conspiração acreditam que o romance é um gatilho mental para matadores pré-programados.

A missão ficaria “adormecida” na mente do assassino, como um código mental, até que ele lesse o livro e acionasse a programação.

Mesmo jurado de morte na prisão, Mark David Chapman recusa a liberdade condicional. É ele o autor do disparo que matou o ex-Beatle John Lennon, em 1980. Nas mãos do assassino, um exemplar de O apanhador no campo de centeio. Teria sido o personagem do livro – segundo ele – que inspirou-lhe a cometer o crime. “Grande parte de mim é Holden Caulfield. Outra parte deve ser o demônio”, contou à polícia. Apesar de Chapman ter culpado parte do romance pelo sangue derramado, a rebeldia inaugurada na narrativa de Salinger está longe de estimular a barbárie.

Logo após a morte de Lennon, as vendas do clássico dispararam, até firmar-se como best-seller e leitura obrigatória. Todo mundo queria saber quem era Holden Caulfield. O que tinha de tão curioso a ponto de inspirar um assassino? O personagem é um simples adolescente de 17 anos, recém-expulso do colégio por mau desempenho. É depressivo, mente e sofre com a própria instabilidade emocional. Tão inocente quanto as brigas nas quais se envolve. Alimenta afetos e ódios, entre picos e quedas. Não tem sonhos concretos, nem planos para o futuro. Apenas vontades passageiras. Tudo o deprime – estado que alimenta ainda mais sua rebeldia.

Qual o motivo das mortes citadas acima:
Os teóricos de conspirações acreditam que a CIA estivesse envolvida no caso Lennon e Reagan. Essas teorias acusam a CIA de ser a responsável por programar a mente de Mark Chapman e John Hinckley Jr..

O caso Lennon
Na década de 70 Lennon se tornou o mais influente ativista anti guerra. Era o ativista mais perigoso do ponto de vista americano, por causa da grande visibilidade que sua figura representava.

Os órgãos de vigilância do governo americano, começaram a prestar atenção a Lennon em 1971, quando ele realizou o concerto Free John Now Rally, pela libertação do poeta e ativista político americano John Sinclair, preso por porte de maconha. Até 1976, a vida do roqueiro foi investigada por espiões e grampos telefônicos, virando um dossiê de 300 páginas.

O FBI e a CIA julgavam Lennon um radical muito perigoso, porque o astro sabia se comunicar com milhões de jovens, através de suas músicas e apresentações. Qualquer ideia subversiva seria facilmente aceita pela juventude norte-americana.

O governo precisava detê-lo de qualquer forma, pois estava em jogo a segurança da nação. A solução encontrada foi a mesma já destinada a Martin Luther King e outros líderes populares do país: o extermínio.

Entretanto, no ano de 1976, os republicanos perderam as eleições presidenciais para os democratas (para termos uma ideia, na época os republicanos acusavam os democratas de estarem muito "socialistas", lembrem-se essa era a época de guerra fria). O novo presidente, Jimmy Carter, “protegeu” Lennon da polícia federal e do serviço secreto, e deram a John o green card. Lennon decidiu fazer um retiro profissional, sob a alegação de acompanhar o crescimento de Sean, seu segundo filho, o primeiro com Yoko Ono. Foram anos de paz, nos quais ele e a família puderam viver em segurança nos Estados Unidos.

Esses anos de paz foram seus últimos de vida. Nas novas eleições no começo da nova década, os republicanos venceram a guerra política e retornaram ao poder. Nessa mesma época, Lennon lançava o álbum Double Fantasy, que estourou nas paradas de sucesso. Então, o recém-eleito presidente resolveu iniciar seu mandato, que começaria em 20 de janeiro de 1981, sem o temido ativista. Quem era o novo presidente? Nosso amigo Ronald Reagan!!!

William Casey, administrador da campanha vitoriosa de Ronald Reagan, nos anos seguintes se tornaria um dos mais poderosos chefes da CIA. Acredita-se que Casey tenha exercido influência dentro da CIA, antes mesmo de Reagan assumir o cargo de presidente, deixando o caminho livre para que o "trabalho fosse realizado".

O assassino, Mark Chapman, já estava sendo preparado pelo programa de controle mental do serviço secreto americano. Ele viajaria do Havaí para Nova York, procuraria a vítima e mataria Lennon a sangue frio, à frente de testemunhas (Yoko Ono e o porteiro do edifício Dakota) que, posteriormente, o identificariam como o criminoso.

Não há dúvidas que Chapman disparou os 5 tiros mirando a morte de John. Mas a contradição afirma que não foi ele quem projetou o assassinato. Chapman foi condenado pela Justiça estadunidense alegando que ele buscava seus 15 minutos de fama, e obviamente, conseguiu, não só 15 minutos, mas muitos anos.

Entretanto, o detetive Arthur O’Connor, a primeira pessoa a conversar reservadamente com o assassino, afirmou que a acusação não fazia sentido, pois Chapman sempre evitou a imprensa. Por que alguém em busca da fama se negaria a dar entrevistas? Todas as entrevista que Chapman concedeu até hoje, só foram possíveis graças a intensa negociação por parte das emissoras, o que reforça a ideia de que Chapman não procurava por fama ao matar o ex integrante do The Beatles.

Vários meses após o acontecido, Chapman afirmou que matara Lennon para promover a leitura do livro O Apanhador no Campo de Centeio, já mencionado acima. Antes de ser preso, nunca tinha comentado com amigos sobre a obra do escritor americano.

Na prisão, Chapman declarou à BBC: “Ele (Lennon) passou por mim e então ouvi na minha cabeça, ‘faça, faça, faça’. Não me lembro de mirar. Apenas puxei o gatilho com força, cinco vezes”. Que vozes eram essas? Chapman não tinha passado de maluco. Pelo contrário, ele tinha uma vida social normal e era um excelente monitor em acampamentos de meninos. Será que alguém estaria controlando a mente de Mark Chapman? Ou de fato era o demônio dentro dele mandando matar Lennon?

David Shayler, ex-agente do MI5, afirmou que os governos britânico e americano trocaram informações sobre a suposta doação de 75 mil libras do músico ao IRA, grupo de terrorismo irlandês. Sob suspeita de apoiar e patrocinar os terroristas irlandeses, Lennon precisava ser eliminado.

Yoko Ono, negou a ligação do marido com o IRA e lembrou que ele defendia os direitos civis e de paz. Entretanto, os arquivos existem e estavam classificados pelo FBI como de “segurança nacional”. Isso prova que o garoto de Liverpool era investigado de perto pelas inteligências americana e britânica no início dos anos 70.

O Caso Reagan
A versão oficial a respeito da tentativa de assassinato de Ronald Reagan, foi de que o responsável pelo ato, John Hinckley, Jr., tentou assassinar o então presidente para chamar a atenção da atriz Jodie Foster. Segundo essa versão enquanto Hinckley morava em Hollywood no final da década de 1970, ele assistiu o filme Taxi Driver pelo menos umas quinze vezes, ao que parece houve uma forte identificação com o personagem principal, Travis Bickle (interpretado por Robert De Niro). A trama mostra os esforços de Bickle para proteger uma prostituta de 12 anos interpretada por Foster; quase no fim do filme, Bickle tenta assassinar um Senador americano que é candidato a presidente. Nos anos seguintes, Hinckley persegue Foster pelo país, chegando ao ponto de matricular-se no curso de letras da Universidade Yale em 1980 quando ele ficou sabendo que ela era uma estudante daquela universidade. No fim de 1980, Hinckley escreveu muitas cartas e bilhetes endereçados a Foster. Ele telefonou para ela duas vezes e se recusou a desistir quando ela indicou que não estava interessada nele. Convencido que sendo uma figura conhecida nacionalmente ele estaria à altura de Foster, Hinckley começou a perseguir o então presidente Jimmy Carter (essa decisão de ter um presidente como alvo foi também inspirada no filme Taxi Driver). Então no dia 30 de Março de 1981, 69 dias após a posse do novo presidente, Ronald Reagan, Hinckley põe em prática seu plano, emboscando o presidente na saída do Washington Hilton Hotel.

Mas por que Reagan a CIA iria querer Reagan morto? Quem sabe eles queriam que o vice presidente, o senhor George H.W. Bush, (sim nosso conhecido George Bush pai) assumisse o governo. Bush havia perdido para Reagan as prévias do partido, mas fazendo uso de uma manobra política, que visava o apoio incondicional do partido, Ronald convidou o ex rival para formar com ele a dupla que tentaria recolocar o partido republicano no poder.


Seria George H.W. Bush, o homem por trás da conspiração que matou Lennon, e seria ele o beneficiário no caso de morte de Ronald Reagan.

Mas onde entraria John Hinckley, Jr. nessa maracutaia toda? Por que a CIA teria escolhido ele para se livrar do recém empossado presidente dos EUA?

John Hinckley, Jr. se colocou a disposição, ou foi escolhido pela CIA, por um motivo muito simples. Ele era altamente motivado a cumprir a missão e de grande importância nesse jogo, pois ele jamais entregaria a verdade para não prejudicar sua família.

Ligações da família de Hinckley com George H.W. Bush. (fonte)
John Hinckley Jr. é filho de John Hinckley Sr., presidente da companhia petrolífera Vanderbilt Energy Corp., uma das maiores patrocinadoras política e financeira da campanha primária do Vice-presidente George H.W. Bush em 1980 contra Ronald Reagan, nas prévias do partido Republicano. Além disso, o irmão mais velho de John Hinckley Jr., Scott Hinckley, vice-presidente da Vanderbilt e Neil Bush, filho do Vice-Presidente George H.W. Bush, tinham um jantar de negócios marcado para o dia seguinte ao atentado.

A Associated Press publicou a seguinte nota curta em 31 de março de 1981:

"A família do homem acusado de tentar assassinar o Presidente Reagan é conhecida da família do Vice-presidente George H. W. Bush e já fez grandes contribuições para sua campanha política… Scott Hinckley, irmão de John W. Hinckley Jr., que declarou ter atirado em Reagan, era para participar de um jantar esta noite em Denver, na casa de Neil Bush, um dos filhos do Vice-presidente… Neil Bush mora em Denver, onde trabalha para a Standard Oil Co. de Indiana. No ano de 1978, Neil Bush foi diretor da campanha de seu irmão, George W. Bush, o filho mais velho do Vice-presidente, que fez uma tentativa mal sucedida de ingressar no Congresso. Neil morou em Lubbock, Texas, durante o ano de 1978, cidade onde John Hinckley viveu de 1974 até 1980..

Só como curiosidade John Hinckley, Jr. alegou inocência por razões psicológicas e é mantido sob vigilância médica em um hospital psiquiátrico desde então. Uma pena bem razoável até, para alguém que tentou matar o presidente.

Um pouco mais sobre Livro
Salinger, ao escrever, não imaginava o estrondoso sucesso que viria. Se soubesse, talvez não tivesse sido capaz de criar um romance tão despretensioso e modestamente banal. Até porque levou uma vida semelhante à de seu personagem, anti-social. A narração em primeira pessoa é repleta de gírias e expressões jovens. Fatos triviais e divagações seguem sem respiro. É assim que o personagem vomita sua inocência. Embora transcorrido nos anos 50, o romance parece não ter época. Poderia ser adaptado, tranquilamente, para qualquer década posterior. A ausência de sinais do passado, exceto por uma máquina de escrever, evidencia que o romance não envelheceu, como ocorre com os clássicos estabelecidos.

Embora seja um hino da revolta juvenil, O apanhador no campo de centeio também é lido por marmanjos. Não é preciso ser jovem para identificar-se com o anti-herói, rebelado contra a sociedade. Prova disso é que o cinema e a própria literatura criaram Caulfields mais velhos – e igualmente intempestivos. O personagem de O Náufrago, de Thomas Bernhard, chega à ruína interior ao deparar-se com um gênio do piano, Glenn Gould. Estar abaixo dele já é motivo para sentir-se um acidente de percurso. Na sétima arte, Stanley Kubrick repetiu a saga do homem rebelado. As obras-primas Laranja Mecânica, O Iluminado e Barry Lindon recriam escórias humanas.

Em nenhum momento, contudo, o livro de Salinger faz apologia à violência ou ao ódio. O cartão-verde para a rebeldia não justifica qualquer crime, ao contrário do que entendeu o assassino de Lennon. Ele levou ao pé da letra as revoltas passageiras do personagem, das quais o próprio se arrependeria. Ao contrário do criminoso, Caulfield não sofria de esquizofrenia e doença mental. Chapman teria se inspirado em qualquer símbolo da incompreensão jovem para justificar seus demônios.

Outra coisa que chama a atenção foi a preocupação de Salinger em desvincular o livro da sua pessoa. Na primeira edição estadunidense, ele pediu para o seu editor não lhe enviar nenhuma crítica escrita sobre o livro. Dizia não querer acreditar sobre o que leria a seu respeito. Proibiu também qualquer trabalho publicitário em cima do mesmo. Sua paranoia chegou ao ponto de achar que a sua foto na contracapa estava muito em destaque, pedindo para substituí-la por outra mais discreta.

A quem diga que a capa original, da primeira edição, do livro possui mensagens subliminares.


Curiosidades:
Além da música Who Wrote Holden Caulfield? (Kerplunk!, de 1992), o Green Day faz referências a Holden Caulfield nos cinco álbuns da banda.

A letra de In Hiding, do Pearl Jam, fala sobre tentar achar a casa de Salinger. Eddie Vedder disse ao NME que, no fundo, é uma metáfora sobre tentar encontrar a casa de Deus, "como se Ele fosse um recluso; você encontra a casa Dele, abre Sua caixa de correspondência e descobre que está cheia de junk mail".

Quando perguntaram a Mark Chapman por que ele matara John Lennon, o perturbado-mental-ou-pau-mandado-da-CIA disse: "Leia O Apanhador no Campo de Centeio e você descobrirá porque o fiz. Esse livro é meu argumento".

Em uma referência a Chapman, o filme Teoria da Conspiração traz Mel Gibson no papel de um lunático que compra todas as cópias de O Apanhador... que consegue encontrar, sem nunca ter lido o livro.

A Disney tem um projeto de produzir uma versão animada de O Apanhador... com um pastor alemão como Holden Caulfield... (que Deus nos livre e o santo Salinger proíba todo esse lixo!).

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6 Comentários
Comentários
6 comentários:
  1. O livro pode ser apenas uma coincidência, mas acredito que a morte de Lennon foi devido ele ser um líder em potencial capaz de abrir os olhos da juventude a respeito do governo.

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    1. Eu adoro coincidências...

      De fato Lennon estava sendo investigado pela CIA, e as relações entre a família do cara que tentou matar Ronald Reagan com a família Bush, são intrigantes não acha?

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  2. Artigo muito bom, conspirações a parte, o Guns N' Roses fez uma música chamada "Catcher in the Rye" que fala sobre o livro e sobre o Mark Chapma"

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    1. Amigo Filipe, teu comentário foi o milésimo comentário no blog Noite Sinistra...

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  3. ou seja se a disney fizer a animação , iria estar fazendo psicopatas lol !!!

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  4. tem uma musíca da banda Dance of Days que se chama Caulfield,seria muito interessante ouvi-la pois o vocalista dessa banda sempre faz mensões desse livro! ótimo post

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